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A ARTE NAS NOSSAS CASAS

  • Foto do escritor: Hyago Chiavegati
    Hyago Chiavegati
  • 20 de abr.
  • 2 min de leitura
Cruz-Diez, artista renomado da Arte Cinética. Foto por SP-Arte.
Cruz-Diez, artista renomado da Arte Cinética. Foto por SP-Arte.

Ao longo desses últimos anos, tive a oportunidade de desenvolver projetos para clientes com grande poder aquisitivo. Para um arquiteto, isso representa uma possibilidade de explorar todo nosso potencial criativo em soluções inovadoras e novas materialidades da indústria.

Nesses projetos, é muito comum que tenhamos contato com o universo do mercado da arte. Esses clientes usualmente possuem obras de artistas renomados em suas casas, que são transformadas quase que em um museu particular. Ali, essas obras são tratadas como investimentos financeiros, objetos a serem cultivados até sua valorização no mercado.

O resultado disso são salas de estar, jantar e corredores que contam a história da arte, que narram críticas sociais e posicionamentos políticos dos artistas. Para quem vê, são espaços muito bem projetados e belos, com certeza. No mês em que está acontecendo a SP-Arte, um evento que reúne diversas importantes galerias de arte, me encontrei refletindo um pouco sobre as nossas casas. O ponto que eu gostaria de tratar aqui não questiona as obras em si, mas sim a conexão que o proprietário tem com elas.


Arquiteto desenvolvendo projeto na Casa Vegati.
Arquiteto desenvolvendo projeto na Casa Vegati.

Há alguns anos, eu trabalhava em um escritório muito renomado e a arquiteta proprietária (minha chefe) falou comigo sobre uma artista plástica que, por acaso (ou não tão por acaso), era também sua amiga pessoal. Tratava-se de uma artista muito prestigiada e premiada internacionalmente. Porém, eu não a conhecia. Nunca tinha ouvido falar. Lembro até hoje da expressão de desgosto da arquiteta quando expressei que não a conhecia.

Depois desse episódio, ela sempre fazia questão de julgar que eu não me interessava por arte, quando, na verdade, eu não me interessava por aquela artista em particular. Até busquei me informar sobre, pesquisei a história da artista, suas obras, o seu “legado”. Mas definitivamente não me conectei. Não me conectei com a história, não me conectei com os quadros. Nada.


Ambiente projetado pela Casa Vegati, com pinturas adquiridas pelo gosto pessoal da cliente.
Ambiente projetado pela Casa Vegati, com pinturas adquiridas pelo gosto pessoal da cliente.

Para mim, aquela artista atende perfeitamente os critérios de quem busca na arte um investimento financeiro. Uma obra que irá se valorizar com o tempo e que poderá ser vendida posteriormente. Mas o meu interesse pela arte vem daquilo que me conecta, que traça algum paralelo com a minha história, com a minha verdade. Eu tenho um interesse genuíno pela arte, por artistas que “falam” comigo, e não pelo que me é imposto.

A casa, ao meu ver, precisa contar a história de quem vive ali, independentemente do valor financeiro das obras. Quando a gente coloca um vaso que comprou em uma viagem para o interior de Minas Gerais de um artista que vendia suas obras na calçada, e esse vaso se torna uma lembrança daquela viagem, dos momentos que a gente viveu ali. O valor daquela obra passa a ser muito pessoal, traz personalidade e autenticidade para nossa casa.

Sempre há espaço para conhecer, se informar e aprender, claro. Mas penso que precisamos nos atentar a não perder nossa personalidade apenas para parecermos “melhores”. Nossa casa é o museu da NOSSA história.

 
 
 

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