NOSSO PRIMEIRO PROJETO INTERNACIONAL
- Hyago Chiavegati
- 4 de mai.
- 2 min de leitura

Alguns projetos acabam impactando mais as nossas vidas do que outros.
Recentemente tive a oportunidade de desenvolver meu primeiro projeto de Arquitetura fora do país. Trata-se do Museu de Arte Contemporânea do Panamá. Esta é uma instituição pela qual eu sempre tive muito respeito e admiração. Em São Paulo, cidade na qual eu resido, o MAC fez parte da minha vida cultural desde a época da faculdade, quando visitei pela primeira vez para prestigiar o lançamento de um livro de um professor muito querido que moldou muito do meu pensamento crítico do ponto de vista arquitetônico e social.
Quando fui noticiado da abertura do concurso desse projeto, fiquei muito interessado e já logo decidi entrar de cabeça. O que mais me atraiu foi o mar de possibilidades que enxerguei naquele local. Ao observar o mapa da região, já eram visíveis as inúmeras questões que a cidade trazia.
No primeiro olhar, uma paisagem marcada por arranha-céus envidraçados contrastando com um belíssimo mar azul turquesa. Um marco no crescimento especulatório imobiliário vindo das políticas do país, que se tornou um importante paraíso fiscal.

Olhando mais atentamente, o terreno onde será implantado o museu era vizinho a uma tradicional comunidade de pescadores conhecida como Boca la Caja, que carrega consigo uma longa história de existência. Comunidade esta que, claro, encontra-se ameaçada pelo mercado imobiliário em ascensão.
O museu é parte de um projeto maior que envolve toda uma gleba, que será composta por diversos edifícios com outros usos e ocupação. É na tentativa de criar um edifício que seja capaz de se relacionar com essas futuras construções que surgiu nosso projeto.

Nossa premissa inicial seria a de criar um edifício que não tivesse muros, que estivesse totalmente permeável aos pedestres que estivessem circulando pela região. Tal como no poema dedicado ao Cerro Ancón, no qual Amelia Denis (poetisa panamenha) homenageia o Panamá como “a sultana de dois mares, a rainha de dois mundos”, o edifício abre caminhos para a cidade. Não apenas caminhos físicos para quem se desloca de um lado para o outro, mas também sociais, propondo-se a integrar a população da comunidade de Boca la Caja na construção cultural do museu.

Participar da construção desse projeto foi uma experiência que me trouxe muitos aprendizados como arquiteto. No âmbito técnico, tratando de propor soluções para questões de insolação e ventilação em um país praticamente colado na linha do Equador, drenagem urbana, organização dos fluxos de um museu, onde se prevê espaços de carga e descarga de caminhões para montagem de eventos, controles de acessos de público, acessibilidade universal em um terreno irregular. No âmbito pessoal, ter mergulhado em conhecer um pouco mais sobre a cultura do país, sua história e costumes. Poder dedicar tempo em aprender sobre a formação de Casco Viejo, e sobre como construtoras brasileiras estariam ameaçando esse patrimônio histórico com a construção de viadutos, me deslumbrar com as polleras, saber um pouco sobre as fondas.
Toda essa experiência que faz com que, mesmo diante de tantas dificuldades, eu consiga me apaixonar (e reapaixonar) pela minha profissão e pelo que ela me proporciona.




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